Autor: pv

26 motivos para almoçar no Prato Verde

Em 2017, o Prato Verde completa 26 anos. Fizemos uma lista com 26 razões para você almoçar conosco. Confira:

1. Um clássico porto-alegrense: fundado há 26 anos, é um dos pioneiros em comida vegetariana na capital.

2. Todas as verduras são orgânicas: mais saborosas, nutritivas e sem agrotóxicos.

3. Direto de quem planta: o Prato Verde compra grande parte de seus insumos de pequenos produtores rurais locais.

4. Variedade: todos os dias, um cardápio diferente. Você pode comer sempre e não enjoa!

5. Saladas, saladas e mais saladas: diariamente, são 14 opções fresquinhas.

6. Pratos quentes: 12 opções no buffet livre.

7. Sempre tem: arroz branco, arroz integral biodinâmico e feijão

8. Sexta é dia de pizza: toda sexta são 4 opções de sabores, sempre com massa integral, bem fininha.. Tem Portuguesa, Califórnia, Banana, do Chef, Zucchini…

9. Quinta vegana: uma vez por semana, o cardápio é livre de qualquer alimento de origem animal.

10. Ambiente familiar: quem almoça por lá está habituado a encontrar os irmãs Flores: Atos, Beto e Tiago – sócios do restaurante -, almoçando e atendendo os clientes pessoalmente. Além deles, a segunda geração da família, filhos e sobrinhos, também está sempre presente.

11. Preocupação ambiental: são diversas ações que buscam preservar a natureza, desde o aproveitamento da água da chuva para a limpeza, preocupação com o descarte e até campanhas para a redução do desperdício.

12. Localizado no charmoso bairro Bom Fim: próximo do Brique da Redenção, da Igreja Santa Teresinha e da Feira Ecológica da José Bonifácio.

13. Nada de refrigerante: lá não tem nenhum tipo de bebida industrializada à venda. Todos os dias, duas opções de sucos naturais, feitos na hora, e água mineral. Tudo à vontade.

14. Buffet livre: você come e bebe à vontade por um preço único, incluindo as sobremesas.  Sem surpresas na hora de pagar a conta!

15. Receitas originais e exclusivas: sabe aqueles pratos que você não encontra em nenhum outro lugar?

16. Sopa Borcht: receita tradicional do Prato Verde, a famosa sopa russa, com 18 ingredientes incluindo beterraba, é uma delícia servida de abril a outubro, tradicionalmente nas quintas-feiras há mais de 20 anos.

17. Aquela maionese: receita exclusiva do Prato Verde, é um sucesso entre os frequentadores da casa.

18. Banana com creme de chantilly vegetal: no cardápio desde a fundação do restaurante, essa sobremesa tem sabor de nostalgia para os clientes mais antigos do Prato Verde.

19. Bife de amendoim: receita original do Prato Verde, sucesso entre clientes… é de dar água na boca.

20. Feijão: há quem diga que o feijão do Prato Verde é um dos mais saborosos da cidade. Vale experimentar!

21. Arroz biodinâmico: todos os dias tem aquele maravilhoso arroz integral orgânico Volkmann (o melhor arroz do mundo, sério!). Rico em nutrientes, ele é irrigado e semeado à mão, seguindo os princípios da agricultura biodinâmica.

22. Música clássica: já reparou que os almoços são ambientados ao som de música clássica? É uma marca registrada no Prato Verde, desde que abriu as portas. Para quem não sabe, um dos donos do restaurante é o Tiago Flores. Sim! O maestro da Orquestra de Câmara da Ulbra, que também já esteve à frente da Ospa.

23. Ainda na música: outra curiosidade é que a família Flores é toda musical. Além de Tiago, Atos também é graduado em Regência e Canto Lírico. os três sócios têm até uma banda – o grupo Extermicida, que tem o reforço de outros dois irmãos: Zeca e Flávio Flores.

24. Proximidade com a cultura: ao longo de sua história, o Prato Verde já apoiou artistas, grupos musicais e peças teatrais

25. Mural: desde a fundação do restaurante, um espaço democrático para que os clientes possam divulgar e se informar sobre cursos e eventos culturais na cidade

26. Vista inusitada: no Prato Verde você almoça apreciando a vista do jardim de um mosteiro. Pode ser mais original?

Todas as verduras do Prato Verde são orgânicas. Conheça nossos fornecedores

Todas as verduras servidas no buffet do Prato Verde são orgânicas. Mas você sabe de onde elas vêm? Boa parte delas são fornecidas pelo produtor rural Bladimir Nunes – que tem uma história de proximidade com o Prato Verde que não é de hoje: começou há 20 anos, quando foi contratado como garçom. Logo em seguida, passou a ser o responsável pela compra dos alimentos – função que desempenhou por 15 anos. Era ele que, diariamente, selecionava boa parte das verduras e outros insumos para o preparo das refeições. Mas em 2016, sua vida deu uma reviravolta, a partir do questionamento: e se ele mesmo passasse a produzir alimentos orgânicos para o Prato Verde?

Pois foi o que fez. Há um ano investindo nas lidas do campo, Bladimir já está colhendo os frutos de seu esforço na terra, e hoje é um dos principais fornecedores do restaurante. “Nós apoiamos desde o início. Gostamos de ver as pessoas progre dindo, dá uma satisfação pra gente! Se antes ele era um colaborador, hoje é um parceiro da empresa!”, alegra-se Atos Flores, gerente do Prato Verde.

Para dar esse passo, Bladimir também contou com o apoio do Sr. Adão – produtor que vende na Ceasa e que o incentivou a mudar de vida. Foi ele quem arrendou 10 hectares de um terreno em Viamão para a plantação. Em outubro de 2016, Bladimir começou plantando 3 mil mudas. Hoje, são 45 mil a cada 15 dias – em um processo quase todo feito à mão.

“O plantio e a colheita são totalmente manuais. A máquina é usada só para fazer o canteiro no início. Os inços, a gente tira todos manualmente também. Mas o trabalho é puxado. Tem dia que a gente trabalha até às 10h30 da noite!” conta.

Para dar conta, Bladimir tem a ajuda de outros dois produtores que dividem as tarefas do campo com ele, supervisionadas por um agrônomo, com o apoio da Emater, que dá toda a assistência, desde a preparação do solo, passando pelo plantio e colheita, além de auxiliar no escoamento dos produtos.

Bladimir planta verduras (alface, rúcula, agrião, radite, tempero verde, couve, espinafre, brócolis, repolho), além de tubérculos como aipim, batata-doce, cenoura, abóbora e moranga. Tudo isso vai direto para o buffet do Prato Verde e também para a Ceasa e outros restaurantes.

“As mudas são orgânicas também. É uma coisa bem diferenciada. Tu vê quando é uma mudinha, tu limpa, cuida. E depois, quando tu come uma salada orgânica, tu sente a diferença. Desde a maciez até o sabor. Não é uma verdura bonitona, mas é muito saborosa!”, garante Bladimir.

Para ele, trabalhar com orgânicos é uma forma de resistência: dá mais trabalho, é mais caro e tem uma perda que pode chegar a 30%. “Grande parte a gente perde para os animais, pois não usamos veneno, apenas repelentes naturais.” Mas a recompensa vem por poder trabalhar ao ar livre, de acordo com os horários da natureza, além de ver a sua renda melhorar. “Eu estou gostando dessa nova vida. O ar é diferente, o clima, tudo! Tu trabalha tranquilo, vê os bichos… Tem muito bicho silvestre! Lobo-guará, capivara, furão, graxaim, passarinhos, cobras. E eu consigo ver o resultado do meu trabalho: sei que se eu plantar mais, vai ter quem compre!”

“De nossa parte, é muito bom saber que estamos oferecendo alimentos da melhor qualidade, que conhecemos e sabemos a procedência. Os clientes ganham, e nós também estamos fazendo a nossa parte, apoiando iniciativas de plantações que não usam veneno e respeitam o meio ambiente, além de contribuir com a economia local, valorizando os pequenos produtores da região. Sem contar que vibramos ao ver o desenvolvimento do Bladimir, que tem relação conosco há tantos anos e já criamos amizade!”, destaca Atos.

Saiba quem são os demais fornecedores orgânicos do Prato Verde

Além de Bladimir, o Prato Verde adquire alimentos dos produtores Lauro Bernar e João Volkmann, e complementa as compras na área dos orgânicos da Ceasa. Saiba mais sobre eles aqui.

Lauro Bernar: Há mais de 20 anos com o Prato Verde

Ele vende na Feira Ecológica da José Bonifácio aos sábados e também é fornecedor do Prato Verde há mais de 20 anos. Planta 18 itens, entre eles alface, radite, rúcula, tempero verde, couve, brócolis, espinafre, cenoura, beterraba, rabanete, couve-flor, repolho e outros. A vantagem de trabalhar com orgânicos, segundo Lauro, é saber que está oferecendo um produto saudável. “Isso não tem preço! É uma filosofia de vida: nós não usamos e nem queremos usar produtos químicos.” 

João Volkmann: Produção orientada pelos princípios da agricultura biodinâmica

Os clientes do Prato Verde certamente já ouviram falar no arroz Volkmann – servido diariamente no buffet e que faz sucesso pelo sabor diferenciado. “Toda a nossa produção está orientada pelos princípios da agricultura biodinâmica. A interação Terra Cosmos é estudada; e os cultivos respeitam os ritmos e impulsos vindos das constelações mediados pela lua. Para a formação de húmus, são elaborados preparados biodinâmicos a partir de plantas medicinais”, explica Volkmann.

 

 

Prato Verde revisita receitas e lança novos pratos assinados pelo chef Mamadou Sène

Um dos mais renomados chefs de cozinha em atividade no Estado presta consultoria para o Prato Verde; e as novidades já podem ser conferidas no cardápio

Quem é cliente do Prato Verde já deve ter percebido algumas mudanças sutis no cardápio. É que, recentemente, o restaurante conta com a consultoria do respeitado chef senegalês Mamadou Sène.

Formado em Gastronomia na França, contemplado com uma bolsa de estudos do governo do Senegal, ele trabalhou nas redes de hotéis Meridian e Club Mediterranée, passando por mais de 20 países. Também atuou como chef itinerante da embaixada do Brasil em Dakar, conheceu o embaixador do Brasil no Senegal, João Cabral de Melo Neto, e passou a fazer banquetes na embaixada. Foi por intermédio dele que Mamadou veio para o Brasil, em 1979, aprender a nossa cozinha. Em Porto Alegre desde 1983, hoje ele se dedica à docência – é professor de Gastronomia do Senac desde 1997 – , realiza jantares e dá consultoria para restaurantes.

À frente das panelas do Prato Verde, Mamadou está auxiliando a equipe do restaurante a revisitar as receitas já existentes e dar um sabor diferenciado, utilizando novos temperos, formas de preparo e montagem. “Estou trabalhando muito na questão do sabor, com o uso de ervas aromáticas, que deixam a comida mais apetitosa. Além de usar especiarias, como cardamomo, canela, anis e outras”.

Também serão criadas novas receitas, ampliando a diversidade no buffet. “É sempre bom olhar para o que já fazemos e buscar melhorar sempre, é nisso que acreditamos. Queremos manter a essência da cozinha do Prato Verde, qualificando o que já existe e acrescentando novos aromas”, explica Roberto Flores – sócio do restaurante.

Com receita desenvolvida exclusivamente para o Prato Verde, Bolinho de lentilha é uma das novidades do cardápio.

Entre os pratos novos, estão o Gratin de legumes, a salada de frutas tailandesa, a batata deuphine, o bolinho de lentilha e a salada de couscous – esses dois últimos inéditos, criados por Mamadou exclusivamente para o Prato Verde.

“Quando cheguei no Prato Verde, procurei observar os temperos. Vi curry, cominho, que são temperos muito usados na culinária asiática, que conferem perfume e cor. Então, o primeiro lugar que me levou foi a Ásia. Mas depois, quando fui ver a preparação, percebi um toque de cada lugar. Por exemplo: se você gosta de culinária mediterrânea, você vai encontrar os legumes como abobrinha, berinjela. Se vai falar da culinária brasileira, tem a couve, o feijão. Então, você pode ver vários lugares no Prato Verde. Mas o que primeiro me chamou a atenção foram as especiarias que encontrei. E eu gosto muito de usar! ”, conta Mamadou. “O Prato Verde já tem uma tradição. Eu gosto de comida temperada e com sabor de comida natural”, completa.

Nos próximos meses ainda deverão ser criadas novas receitas. “A culinária vegetariana me instiga muito. Estou gostando muito da experiência, de ver esse outro lado da cozinha, não só das proteínas animais, mas trabalhar com legumes, folhas e etc.”

Ao que parece, a aceitação dos clientes está sendo boa. “Eu vejo as pessoas se servindo três, quatro vezes! É um sinal de que gostam. O que mais agrada um cozinheiro é ver os pratos voltando vazios. Não tem melhor retorno do que esse!”

Conheça a história do Prato Verde, fundado e administrado pelos irmãos Flores

Conheça a história de um dos primeiros restaurantes vegetarianos do Bom Fim, em Porto Alegre,  fundado e administrado pelos irmãos Flores

O Prato Verde abriu suas portas em meados dos anos de 1990, fruto de uma parceria dos irmãos Tiago Flores e Tarcísio Flores (falecido em 2004). Eles não imaginavam que o restaurante se tornaria referência em comida vegetariana na capital, conquistando clientes com um ambiente de empresa familiar, que se encaminha para a segunda geração.

A história começa em 1991, quando Tiago Flores, que na época era concursado do Banco do Brasil e fazia faculdade de música, desistiu da vida de bancário e decidiu alugar o salão da Igreja Santa Teresinha, no Bairro Bom Fim, para abrir o Prato Verde. Tiago e Tarcísio se uniram para dar início aos trabalhos do primeiro restaurante vegetariano do bairro – na época, Porto Alegre só possuía um restaurante do segmento, localizado no Centro. Para esse começo, eles contaram com a ajuda da irmã, Helena Flores Konzen, que é nutricionista. “Ela ajudou desde a seleção de pessoal até montar o cardápio, nos assessorou. No segundo ano, nós contratamos uma nutricionista para ficar no restaurante em tempo integral. E alguns pratos de hoje são os mesmos daquela época”, explica Tiago.

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Ambiente do salão principal, na década de 1990
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Primeiro formato do buffet

O sucesso do Prato Verde se deu logo na inauguração. A quantidade de clientes foi tamanha que chegou a faltar comida. O salão inicial era pequeno, tinha capacidade para 80 pessoas. Já a partir do segundo ano, foi preciso cavar e construir mais um salão – comportando o dobro de pessoas. Nos primeiros anos, Tiago e Tarcísio trabalhavam arduamente, atuando em todas as funções e etapas, desde as compras, produção de alimentos, sucos, lavação e atendimento aos clientes.

Já em 1992, Tiago foi morar na Rússia, para fazer especialização em regência. Morou lá cerca de dois anos, retornando a Porto Alegre somente nas férias, a cada seis meses. Neste período, Tarcísio convidou outros dois irmãos – Luiz Roberto Flores (Beto) e Atos Flores para trabalharem no restaurante. Em 1993, Tarcísio se desligou do empreendimento para abrir outro negócio – e Atos e Beto se tornaram sócios. Em 1996, Tiago se deligou do trabalho diário do Prato Verde, mantendo-se como sócio, e passou a se dedicar exclusivamente à música. Atuou como diretor artístico da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) nos anos de 1999 a 2001 e 2011 a 2014; e fundou a Orquestra de Câmara da Ulbra, em 1996, atuando como maestro até hoje.

Nesta época, outro irmão começa a trabalhar no restaurante: Telmo Flores. Um dos mais velhos da família, Telmo trabalhou de 1996 a 2006 – quando se aposentou e foi morar no Mato Grosso.

QUALIDADE DE VIDA

Os irmãos Beto, Atos e Tiago Flores, sócios do Prato Verde

Antes de começarem a trabalhar no Prato Verde, Beto e Atos tinham uma empresa de programação visual – onde desenvolviam trabalhos com serigrafia, letreiros e fachadas – a extinta Acrilarte. Neste período, Beto teve sua saúde bastante abalada, devido ao constante uso de tintas e solventes. Ao deixar a empresa antiga e ingressar no Prato Verde, Beto recuperou a saúde. “O vegetarianismo me deixou mais ativo. No período de um ano, eu me sentia completamente recuperado das funções hepáticas, só por causa da comida saudável. Até hoje sou vegetariano.”

Para Atos, a mudança para o Prato Verde também trouxe bons frutos. Foi quando ingressou no restaurante que conseguiu estar mais próximo das duas filhas, pois passaram a almoçar em família. Outro fator importante é o fato de trabalhar em uma empresa familiar. “Sempre tivemos um bom relacionamento entre os irmãos, de muito afeto. Trabalhar com a família não poderia ser melhor. A gente tem confiança uns nos outros e isso é fundamental.”

Beto graduou-se em Química, na PUCRS. Atos é bacharel em Regência Coral, pela UFRGS, e paralelamente ao Prato Verde, atuou como regente do Grupo Vocal Ulbra – instituição onde também lecionou. Além de Beto e Atos, outro irmão também trabalhou no Prato Verde: João Claudio Flores, que trabalhava como gerente nos finais de semana e hoje está aposentado.

SEGUNDA GERAÇÃO

Em 2005, o Prato Verde entrou em uma nova fase. O filho mais velho de Tiago Flores, que leva seu nome, Tiago Costa Flores (ou Tiaguinho, como é chamado pela família), ingressa no restaurante. Logo de início, passou a cuidar do cardápio, em função do gosto pela gastronomia e pela experiência que tivera na Inglaterra. Ele também é graduado em Publicidade, pela ULBRA, e tem MBA em Marketing pela FGV. Trabalhou no Prato Verde por 11 anos, e atualmente dedica-se a outro negócio também no ramo da alimentação.

AMIZADE E CONFIANÇA

Com 25 anos, o Prato Verde mantém clientes que almoçam diariamente e mais da metade deles frequentam o local há mais de dez anos. “É uma satisfação olhar para uma obra e saber que tu ajudou a construir. Saber que a gente começou do nada e se tornou uma empresa referência na área em que atua”, afirma Atos. Além disso, garante, o principal é trabalhar em algo que se acredita. “Saber que oferecemos uma alimentação de qualidade, que faz as pessoas se sentirem melhor, é o que nos dá mais satisfação. A alimentação é a base de tudo, afeta todas as áreas da vida. É muito bom saber que a nossa dedicação ajuda as pessoas a serem mais saudáveis. Trabalhamos com honestidade e afinco, querendo fazer sempre melhor. E a gente nota que os clientes reconhecem isso e acreditam na nossa proposta. ”

 

Nossa preocupação com a sustentabilidade

Confira as ações implementadas pelo Prato Verde buscando a sustentabilidade e para evitar o desperdício

daniela-maccali-6507-800x533No Prato Verde, a gente acredita na importância de se preservar o meio ambiente e a natureza. Neste sentido, desde nossa fundação, buscamos implementar práticas buscando a sustentabilidade e redução do desperdício.

Trabalhamos constantemente disseminando conceitos de boas práticas na cozinha. Nossos funcionários recebem treinamento e todos eles possuem certificado pelo curso oferecido pela Anvisa para manipuladores de alimentos. Recentemente, o restaurante também implementou controles mais rígidos, que vão desde a chegada dos insumos, passando pelo estoque até o seu descarte. Na área da produção, também desenvolvemos um trabalho de revisar todas nossas receitas e refizemos todas as fichas técnicas das saladas, dos doces e dos pratos quentes. Desta maneira, podemos prever muito melhor a quantidade de nossos almoços, buscando evitar o desperdício de alimentos.

Também estamos desenvolvendo um processo de pesquisa de novas receitas com aproveitamento integral de alimentos, utilizando sementes e cascas – além de dar prioridade para os alimentos da estação, oriundos de pequenos produtores orgânicos locais.

Confira outras ações que também realizamos:

  • Aproveitamento da água da chuva para vaso sanitário e limpeza;
  • Preferência de por alimentos sem agrotóxicos;
  • Preferência por alimentos oriundos de pequenos produtores e fornecedores locais;
  • Instalação de sensores de presença nos banheiros, na área de produção, estoque e vestiário dos funcionários, para evitar que luzes quem acesas sem necessidade;
  • Preocupação com o descarte: há mais de 10 anos o Prato Verde trabalha com a coleta seletiva de lixo. Os restos orgânicos são destinados a produtores rurais da região metropolitana (para serem aproveitados como adubo para o solo) e óleo de cozinha tem recolhimento especial de uma empresa de biodiesel.

Qual a origem dos alimentos servidos no Prato Verde?

Os produtores Lauro Bernar, Juarez Pereira e João Volkman – fornecedores do Prato Verde – falam sobre os desafios e a realidade de quem produz alimentos orgânicos

daniela-maccali-9012-640x427Prato Verde oferece diariamente um cardápio variado, que compreende 14 tipos de saladas e 10 opções de pratos quentes – além de sobremesas e sucos naturais. Você já parou para pensar de onde vem esses alimentos? Preparamos esta matéria para mostrar um pouco sobre o que ocorre antes do alimento ser servido. A ideia é apresentar ao consumidor quem são os produtores, dar uma ideia do trabalho, da dedicação, das dificuldades e da realidade de quem produz os alimentos.

Uma das grandes preocupações do Prato Verde é servir almoços saudáveis e de qualidade. Para isso, o restaurante conta com fornecedores que são, em grande parte, pequenos produtores orgânicos, que trabalham sem fazer uso de nenhum tipo de agrotóxico. No entanto, a oferta de orgânicos atualmente ainda não é suficiente para atender toda a demanda. Determinados alimentos são difíceis de encontrar com o selo “orgânico” e, algumas vezes, o produtor não consegue produzir em larga escala, a ponto de suprir necessidades de estabelecimentos maiores.

Para entender melhor esse processo, conversamos com três pequenos produtores, que ajudam a traçar o perfil de quem trabalha para que o alimento chegue à mesa sem venenos. Confira:

LAURO BERNAR, da COOPERATIVA ARCO-ÍRIS: 20 anos com o Prato Verde

daniela-maccali-6608-533x800Lauro Divino Bernar trabalha na terra desde que nasceu. Começou pequeno, com o pai, em Cerro Grande do Sul (RS). Depois veio para Porto Alegre, casou-se e passou a dividir as tarefas com a esposa, em um trabalho totalmente manual. “A gente fazia o canteiro com a enxada, afofava a terra, passava o ancinho, molhava as plantas com regador, depois botava num carrinho de mão e saía a vender”, lembra.

Hoje, ele faz parte da Cooperativa Arco-Íris e arrenda uma chácara de pouco mais de dois hectares, na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, onde trabalha com mais dois parceiros. Lauro faz a logística de venda; e seus colegas, a produção – que é praticamente toda manual. Há 20 anos nesta propriedade, eles trabalham somente com produtos orgânicos, sem veneno

“Sempre foi assim. Meu pai nunca quis usar adubo químico nem defensivo. Sei que o pessoal usa veneno por comodidade e um pouco porque o mercado exige, por incrível que pareça; mas eu nunca usei. Na feira, as pessoas vão comprar e dizem: ‘ah, mas essa folha está furada!’. ‘Sim, é natural’, respondo. ‘Mas o bichinho passou por aqui!’. ‘Passou, mas já foi embora, não tem problema não. A senhora está numa feira ecológica. Isso acontece. Aqui não tem verdura que não tenha um furinho na ponta. Isso é natural pra nós’”, conta.

Trabalhar com orgânicos, no entanto, não é simples. “Às vezes, nós perdemos algumas culturas. O inço vem forte e nós não usamos esses mata-mata. Dá mais trabalho. E também tem a praga que ataca e nós perdemos.” A vantagem, segundo Lauro, é saber que está oferecendo um produto saudável. “Isso não tem preço! É uma filosofia de vida: nós não usamos e nem queremos usar produtos químicos.”

daniela-maccali-6610-533x800Outra dificuldade é a mão de obra especializada. “Mesmo que a gente precise de uma mão de obra eventual ou fazer um serviço extra, não se consegue. É muito difícil. E a mão de obra que se tem hoje é de pessoas que já estão envelhecendo, parando de trabalhar, com problemas de coluna.” Além disso, a demanda de produtos orgânicos é crescente e é maior do que a oferta. “Se conseguisse produzir mais, venderia mais. Eu não vendo mais por falta de mercadoria”, garante.

Lauro planta 18 itens, entre eles alface, radite, rúcula, tempero verde, couve, brócolis, espinafre, cenoura, beterraba, rabanete, couve-flor, repolho e outros. Vende na feira, entrega para minimercados e restaurantes de Porto Alegre, entre eles o Prato Verde – que é seu cliente mais antigo.

“Desde que eu comecei na feira, as pessoas passavam e me perguntavam por que eu não vendia no Prato Verde. Os clientes do Prato Verde compram na feira. Depois que duas ou três pessoas me falaram isso, eu resolvi ir lá visitar. Falei com o Atos e com o Beto, que já me encomendaram: ‘Então traz segunda-feira!’, eles disseram. Segunda-feira eu fui lá e entreguei. E fiquei entregando até hoje, já faz 20 anos. Já estamos na segunda geração da família e eu continuo entregando, quatro vezes por semana. E não é pouco tempo! A gente pega amizade. Eu entro lá e me sinto em casa!”

JUAREZ PEREIRA: O GUARDIÃO DAS SEMENTES

daniela-maccali-6636Bem conhecido entre os frequentadores da Feira de Agricultores Ecológicos, que ocorre todos os sábados na Rua José Bonifácio (em frente ao Parque da Redenção), em Porto Alegre, Juarez Felipe Pereira é produtor de arroz orgânico. Possui uma propriedade em Barra do Ribeiro (RS), onde trabalha com nove tipos de arroz, que totalizam 36 variedades.

Juarez sempre trabalhou com agricultura, começando com o arrozal de seu pai. Por algum tempo praticou a agricultura química, mas há 20 anos tomou a decisão de parar de usar veneno.

“A decisão se originou a partir do exame de uma conjuntura da época. A lavoura arrozeira vivia crises periódicas, que historicamente viveu. E essas crises eram como uma febre para o organismo. Elas matavam algumas coisas e deixavam espaço para outras. No caso dos atores envolvidos na lavoura arrozeira, ela eliminava os mais fracos. E eu era a bola da vez. Eu examinei essa conjuntura e o quadro progressivo da minha saúde, que era de erosão por causa dos venenos e das relações tóxicas daquela atividade – não só no contato com o veneno, mas no contato com todos os agentes da cadeia, ou seja: a parte financeira e a parte comercial, que absorvia a nossa produção e que nos fornecia os insumos. Todas essas são relações muito tóxicas”, explica.

A primeira mudança que Juarez notou foi na saúde. “A partir do momento que passei a andar menos em banco, estar menos em contato com vendedores de agrotóxicos, com compradores da nossa produção e de todas essas relações de profunda exploração, eu consegui estar mais em torno do meu eixo. Num primeiro momento, ainda tateando, engatinhando. E num segundo momento, comecei a reconstrução. Primeiro foi um resgate do ser humano, da saúde e da dureza que essa vida anterior me impunha. A partir daí, um novo ser foi se formando, como uma borboleta saindo de dentro de um casulo, tendo a certeza da construção de um processo. Até ali, toda a atividade era de destruição. Destruição cultural, destruição da saúde, ambiental. E as relações não apontavam para construção nenhuma, pois todas elas são muito voláteis, mudam com o passar de uma brisa diferente.”

Hoje, mais que um agricultor, Juarez preserva e multiplica sementes. “Eu faço um trabalho que considero mais importante que produzir alimentos, que é proteger e multiplicar variedades crioulas de arroz. Eu sou guardião de sementes.

A mudança na forma de produzir teve suas dificuldades – mas logo representou uma nova forma de levar a vida. “Quando eu comecei a ir pra rua vender e a receber do público uma outra forma de pagamento que não só a monetária, mas essa questão do carinho, do respeito, do amor, da consideração, isso começou a reverberar em mim na forma de responsabilidade. E a guarda e a proteção de sementes se deu movida por isso, por esse amor pelas variedades, pela atividade toda, por essa causa: produzir alimentos. E a preocupação de que aquelas pérolas – essas com as quais eu me apresento hoje – não desaparecessem, para que as próximas gerações possam conhecê-las.”

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Juarez participa da feira orgânica do Bonfim desde 1999. Ele ficou impressionado com o público que frequenta o local. “Dentro dessa área, as pessoas se olham nos olhos, se abraçam, sorriem umas para as outras. Eu acho que todo o agricultor deveria conhecer esse ambiente. Todas as cadeias de fornecimento de alimentos tinham que ter essa qualidade de diálogo com o consumidor, com o outro lado da banca. Eu já ouvi dizer que existia uma época em que não existia campo e cidade. Tudo era cidade e tudo era campo, um ambiente só. A feira é uma forma de recuperar, criar e fortalecer. Ela não se caracteriza por ser só um espaço de comércio. É um espaço pedagógico para as duas partes: para os agricultores e para os parceiros urbanos.”

Aos sábados, após a feira, Juarez e outros produtores almoçam no Prato Verde. “Agente tem optado por almoçar ali não só pela qualidade do alimento, mas também por que eu acho que todo o ser humano gosta de chegar em locais onde é reconhecido. E o Prato Verde é um lugar em que não existe rotatividade dos funcionários, dos atendentes. Mais dia, menos dia, a gente acaba estabelec endo um conhe c imento, um cumprimento, um sorriso, com as pessoas que estão ali nos servindo. Isso é uma coisa ideal!”

Volkmann: produção orientada pelos princípios da agricultura biodinâmica

17431843Os clientes do Prato Verde certamente já ouviram falar no arroz Volkmann. Além de ser servido no buffet, é um dos produtos à venda no mostruário que fica atrás do Caixa. O engenheiro Agrônomo João Batista Volkmann produz vários tipos do produto, entre eles o longo fino integral, longo fino polido, grão curto integral, grão curto polido, arroz vermelho misturado com grão curto e arroz especial, que é uma mistura de grão curto integral com arroz vermelho, arroz preto, farinha e farelo de arroz e arroz quebrado.

“Toda nossa produção está orientada pelos princípios da agricultura biodinâmica, em que a unidade de produção é vista como um organismo agrícola autossuficiente em sua fertilidade do solo. A interação Terra Cosmos é estudada; e os cultivos respeitam os ritmos e impulsos vindos das diferentes constelações, mediados pela lua em seu percurso de 28 dias. Além do estudo astronômico, elaboramos substâncias a partir do esterco bovino e de cristais de ametista, que contribuem com a atuação solar diretamente no desenvolvimento das plantas.

Para a formação de húmus, são elaborados preparados biodinâmicos a partir de plantas medicinais, que são adicionados ao composto”, explica.

Toda a produção é própria. O arroz irrigado é semeado à mão, e a colheita é mecanizada. Apenas a semente básica é colhida manualmente. Após a colheita, o arroz é seco e armazenado em silos próprios; e o beneficiamento e empacotamento é feito na fazenda, proporcionando empregos no meio rural.

danielamaccali-6642-800x533Volkmann trabalha há 32 anos neste ramo, que iniciou com a responsabilidade de recuperar e manter a propriedade da família, que é apta ao cultivo do arroz. A comercialização é feita por meio da venda direta para pequenas lojas de produtos naturais, supermercados e restaurantes. Ele acredita que é possível construir uma nova forma de fazer agricultura e busca dar o exemplo na prática.

“A produção de alimentos sem agrotóxicos traz benefícios que nem todos estão percebendo. Primeiramente, na formação de húmus no solo – que têm a capacidade de armazenar dez vezes seu peso em água. Isto significa que os rios tendem a manter seu volume mais estável tanto na hora das chuvaradas, quanto nos períodos de seca. A paisagem como um todo se transforma, tanto na preservação das matas ciliares, quanto na formação de quebravento, formando um mosaico de indescritível beleza. Quando todos conquistarmos novamente a forma saudável de praticar agricultura, o turista poderá então desfrutar desta paisagem harmônica, e quando estiver com sede poderá parar em um pequeno córrego e tomar água. A família do agricultor terá sua saúde preservada, e as pessoas que se beneficiam deste alimento receberão um alimento sem contaminantes e mais rico em nutrientes minerais e vitaminas. Eu acredito que os agricultores que trabalham com agricultura saudável hoje são os precursores de como deverá ser praticada a agricultura no futuro próximo em toda a Terra.”

Prato Verde levanta bandeira contra o desperdício


Restaurante provoca discussão em busca de alternativas para enfrentar o problema

daniela-maccali-6017-800x531A cada ano, um terço de todo o alimento produzido no mundo é desperdiçado. Enquanto isso, mais de 800 milhões de pessoas sofrem de fome, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Diante dessa situação, o Prato Verde levanta a bandeira contra o desperdício, para provocar a reflexão e o diálogo sobre essa temática. Nos últimos anos foram realizadas diversas ações nesse sentido, utilizando a informação como forma de conscientização e engajamento das pessoas em torno do tema.

A iniciativa começou na edição de março de 2015 da Revista do Prato Verde, que trazia como matéria principal a origem dos alimentos servidos no restaurante. A publicação apresentava entrevistas com três produtores de alimentos orgânicos, que são fornecedores do Prato Verde, e traçava um perfil, mostrando o dia-adia dessas pessoas que trabalham com a terra, suas motivações, dificuldades e desafios. Com isso, o restaurante aproximou os consumidores (clientes do Prato Verde) dos atores da cadeia de produção de alimentos.

Já na edição de setembro da Revista, o foco foi o desperdício de alimentos. A publicação trouxe uma matéria sobre a cadeia do desperdício, que começa na produção, passa por armazenamento e transporte e culmina nos pontos de venda e na casa dos consumidores. A revista também apresentava informações e números sobre o consumo inconsciente no mundo e dicas para o aproveitamento integral dos alimentos. Para completar a matéria, foi realizado um ensaio fotográfico, que mostrava cenas do desperdício em Porto Alegre, clicado
por Daniella Maccali.

daniela-maccali-6062-800x531Diante das fotos impactantes, o Prato Verde sentiu a necessidade de dar ainda mais visibilidade ao assunto.
E foi assim que os registros foram parar nas paredes do restaurante, em formato de exposição. Intitulada “Desperdício, um novo olhar”, a mostra foi lançada em 2015, em um coquetel para convidados, que reuniu clientes, artistas e lideranças para debater a temática.

Depois disso, todas as pessoas que frequentaram o restaurante puderam apreciar o trabalho, que ficou exposto
nas paredes do Prato Verde durante dois meses. A mostra contava com fotos ampliadas, telas do artista Mártin
Flores, infográficos assinados pelo designer gráfico Francisco Kaminski e trabalhos do artista multimídia Arthur
Della Giustina. “Espero que, mesmo sendo uma gotinha no meio do oceano, essa exposição tenha tocado alguém e que faça as pessoas refletirem sobre o desperdício e o que poderia ser feito para mudar”, comenta a fotógrafa Daniela Maccali.

No mesmo ano, o estabelecimento recebeu um convite para expor as obras no aeroporto Internacional Salgado Filho. O trabalho ficou exposto no terceiro andar do aeroporto, podendo ser conferido por mais pessoas, ampliando ainda mais a visibilidade para o tema.